terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Ela é f...

Sabe quando você ouve ou lê alguma coisa e pensa: isso foi pra mim!!!
Pois é. Semana passada aconteceu isso com uma crônica da Martha Medeiros no jornal O Globo.
Ela se chamava " A cabeça dos outros" e vou reproduzir (torcendo pra não ser processada) o trecho que mais me identifiquei:

"...somos prisioneiros não só da nossa cabeça, mas da cabeça dos outros também, do que eles pensam a nosso respeito, do que imaginam que iremos fazer, das conclusões a que chegam, das interpretações que fazem.

Estamos sujeitos ao que nossas narrativas revelam e elas nem sempre revelam nossa pureza. Estamos sujeitos ao que nossos atos revelam, e eles nem sempre revelam o que sentimos. O que somos de verdade e o que queremos de fato, só nós sabemos. Só nós. Sós!

Quantas vezes tentaram advinhar o que sentíamos, e erraram. Julgaram nossas ações, e erraram. Tiveram certeza sobre nossos propósitos, e erraram.

Reverenciamos tanto a conexão, mas ela segue mais rara do que nunca.

A cabeça do outro é nosso juíz mais implacável. Acreditamos que temos controle sobre nosso destino, mas esse controle está atrelado ao pensamento do outro sobre nós, o sentimento (ou ressentimento) que ele nutre a despeito de todas as nossas boas intenções.

Nossos pais, nossos amigos, nossos clientes, nosso amor: tudo andará bem desde de que sejamos fiéis ao que está previsto.

Mas somos seres imprevisíveis por natureza, o que nos faz passar a vida inteira correndo riscos."

Preciso dizer mais alguma coisa?

Preciso: tenho que aprender a seguir o roteiro hipócrita da vida e ficar de boca cada vez mais fechada!!!

Ah sim: garças à Deus vivo bem comigo mesma! Sem peso na consciência e sem necessidades de alguém (pra me julgar) perto de mim!!!!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Muletas

Ao longo da minha vida, nem tão longa assim, conheci todo tipo de gente, dos mais variados tipos de raça, cor e etnia.
Mas há um tipo específico de gente que quanto mais eu conheço, mais quero entender como funciona seu mundo.
É fascinante vê-los em ação. Seu poder de fé, oração, devoção e entusiasmo com tudo que diz respeito a sua crença me encanta. São os convertidos religiosos ou como alguns maledicentes chamam, os vira-casacas.
Não me incluo nesse 2º time que julga os outros esquecendo, por conveniência, seus próprios erros.
E sob um ótica mais racional somos todos carentes e desejosos de tamanha fé e invejosos, de forma velada e odiosa, de tal poder de crença.
Sim. Pois vê-los glorificar um Deus que tudo os proverá de forma incondicional e irremediável é intrigante.
De onde vem tanta certeza?
Ouvi de um amigo, há muitos anos atrás, que 2 fatores são primordiais para uma conversão: a dor e o amor.
Freud afirmava que o prazer e o horror movem o homem.
No caso de meu amigo foi a dor. Uma experiência de quase morte num acidente de carro o jogou, por assim dizer, nos braços sempre abertos de Deus nosso Senhor.
Todos que conheci se converteram pelo mesmo motivo: a dor. E estendendo seus tentáculos o desespero, a angustia, a depressão, o adicto das drogas, do álcool, do jogo, da comida, do sexo e tantas outras formas de vício que vitima homens, mulheres e não raramente crianças.

O que me faz questionar, onde está a famigerada misericórdia divina que não protege nossas crianças das perversidades do mundo?
Penso que em alguns casos certas pessoas vivem apoiadas em muletas.
São belas e saudáveis na aparência, mas lá no fundo, naquele lugar quase inóspito e confuso, que as vezes nem a gente tem coragem de entrar, estão sempre sustentadas por muletas.
Que quando se quebram, corroídas pelo dor precisam ser substituídas.
E felizmente são. Por algo mais duradouro e concreto que os tornam mais felizes ou menos auto destrutivos, quem sabe?
Qualquer que seja o motivo, de certo só a fé que move uma legião carente de esperança, ou tão cheia dela que a divide com seu próximo; sem cobranças ou condições.
Lamentável são as ervas daninhas que nascem nos lugares mais férteis, mais saudáveis, mais lucrativos.
Talvez como forma de nos lembrar que a batalha do bem contra o mal é eterna e cansativamente diária.

Atropelamento e fuga.

Estou aqui, novamente-outra-vez, pra dissertar sobre a pior praga da humanidade (na minha humilde opnião): a decepção.
Já reparou como a decepção com alguém ou alguma coisa te derruba de uma maneira quase avassaladora?
Se não acontece com você, meus parabéns!
Confesso que morro de inveja de quem consegue se decepcionar e não se abater.
Eu fico na merda...
Deve ser porque sempre vou fundo no que me arrisco a fazer. Sem imposições, limites, de peito aberto mesmo.
E quando vem a decepção parece que um caminhãe lixo passou por cima de mim a 100kms por hora.
Digo caminhão de lixo porque é assim mesmo que parece. Eu crente que tava arrasando e meu feedback é um monte de palavras duras, ameaças veladas, desprezo. Decepção.
De uns tempos pra cá excluí completamente a parte afetiva da minha vida.
É fato. Não quero mais apostar em outro fracasso, então, sublimei o sexo, o tesão, o desejo por um homem da minha vida. Não é pessimismo, é realidade.
EU SEI QUE NÃO VAI DAR CERTO.
Tenho 35 anos e nunca deu até aqui. Porque agora - quando a idade começa a dar seus sinais de que tá chegando, a tez já não é a mesma dos 20 anos - iria dar certo?
É ingênuidade demais e tô velha pakas pra ser ingênua.Mas sabe o que é o mais bizarro dessa minha decisão?
Minha vida ficou melhor.É sério.
Me sinto mais leve, mais livre, mas em paz com meus hormonios. Tudo bem que as vezes eles brigam comigo, não me deixam dormir direito, mas nada que não seja capaz de resolver sozinha.
Eu tô bem assim. E peço à Deus que me mantenha assim pro resto da minha eternidade aqui na terra.
Mas não pensei que tivesse de abdicar de minhas pretensões afetivas no campo da amiazde.
E aí descobri outra ingênuidade: sabe aquele velho ditado? Amigos amigos, negócios a parte?
Pois é. Eu achava que poderia sim sermos amigos e trabalharmos juntos, por que não?
Teríamos intimidade, liberdade para discutir as melhores decisões, enfim, qualquer merda seria resolvida no alicerce da amizade.
Mas...como também diz aquele velho ditado: quanto mais conheço a humanidade, mas amo meu cachorro...eu não tenho cachorro e nem quero ter...o que eu faço?
Abdico de mais esse ramo da minha vida? Engulo a vergnha de ser tão ingênua aos quase 36 anos? Vou me embora pra pasárgada, pois lá sou amiga do Rei? Ah sim...isso é um verso de um poema lindo.
Nem pasárgada existe nem amiga do rei eu sou.
Decisão tomada! Agora tenho certeza que amizade é só uma palavra bonita que as pessoas usam para agradar as outras.
Eu sei que essa sensação terrível de fracasso vai passar, que provavelmente terei que começar de novo em algum outro lugar, que um dia vou pensar nisso como só mais um dos muitos atropelamentos que já sofri.
sei que vou conseguir sublimar mais esse vontade louca e descabida que tenho de me pular de cabeça em novas empreitadas que me convidam.
É ridículo ser tão entusiasmada assim! Tão crente de que vou fazer e acontecer e todos reconheceram meu valor! Que os amigos existem e quando a gente trabalha com eles fica tudo mais fácil!
hahahahahahahaha
Vai doer, mas a bonança sempre vem e quase sempre é maior que a dor!
Essa fé eu ainda tenho!!!!!