segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

"Meu grande amor
Me perdoe o que fiz com sua namorada.
O ciúme me deixou louco, tava morrendo de medo de te perder. Você sempre teve do meu lado e de repente me vi sozinho, sem poder ir te procurar. Se você soubesse o quanto eu te amo.
Eu te amo desede criança, dos tempos de escola. Eu, você e o chato do seu irmão. Como eu me sentia orgulhoso quando você brigava pra me defender. Eu fiz tanta coisa por você, pra você, só pra te agradar e te ter por perto, mas nunca consegui te conquistar e quando te vi apaixonado por aquela garota sem graça tive vontade de matar ela e quase consegui.
Se não fosse tão covarde eu teria tirado ela do meu caminho, mesmo sabendo que você poderia me odiar pra resto da vida.
Eu estou indo embora e só o que vou levar de você é as minhas recordações e os meus sonhos de viver a seu lado, longe daquiu.
Eu queria que você viese comigo. Só nóis dois pelas estradas, livres no mundo. A gente era feliz até essa garota se meter no nosso caminho.
...
...não vou mais te amar nos braços (...) de nenhum outro homem. Vou tentar achar uma mulher pra min.
...
Essa é minha curta história de amor e por ela ser tão suja e pequena, a única coisa grande que eu tenho em min é o meu amor por você e por meus pais, é que estou indo embora pra um lugar onde ninguém me conhece.
Vou começar tudo denovo. Seja feliz mesmo que seja com aquela garota que te roubou de min, meu grande amor.
E me perdoa pela merda que eu fiz com ela, se você puder.
Não vou te mandar beijos porque o papel não pode transmitir o calor da minha boca e do meu corpo que pega fogo quando tá contigo.
Meu primo, meu amor, meu amigo, meu tudo.
Joseph."
A garota em questão era eu.
Quando meu marido leu esta carta, em outubro de 1988, Joseph estava morto. Será que ele premeditou sua própria morte, como fez comigo ao me atropelar, ou a overdose foi acidental?
Nunca saberemos, mas espero, do fundo do meu coração, que ele esteja em paz num lugar muito bonito no céu, tão bonito como ele era aqui na terra.
Muitos beijos pra você, Joseph.

Nenhum comentário: