Jamais vou esqueçer onde tudo começou.
Final dos anos 80.
Circo Voador, exilados políticos voltando aos montes, rock nacional na sua melhor fase, na minha modéstia opnião. Cabelos armados com gel, muro de Berlim despencando como embosso podre, internet batendo a nossa porta - como um grande cifrão para os antenados em novidades, mas discreta e surreal para os alienados depressivos como eu.
Eu não passva de uma garota mentalmente doente, que na flor dos seus 15 anos queria morrer mais do que outra coisa.
Fumava dois maços de hollywood por dia..."fumo hollywood para o seu sucesso..." como dizia a música. Lia poesias de Olavo Bilac, romances de Gabriel Garcia Marquês e Jorge Amado - 100 anos de solidão e Tocaia Grande são os meus favoritos - enquanto minhas colegas iam a festas, bailes, namoravam...enfim eram felizes.
Ao contrário do que as pessoas pensam o suicida não é um louco covarde. Já fui uma mente suicida e digo com certeza absoluta que a morte nada mais representa que o fim de um ou mais problemas.
Quando eu queria morrer, e uma vez fiz roleta russa com uma bereta que meu pai tinha na gaveta da comoda, só queria que toda a dor acabasse.
Hoje eu sei que tudo passa "...mas tudo passa...tudo passará..." - essa música é linda...mas voltando ao assunto. HOJE eu sei que depois de uma noite bem dormida todos os problemas parecem mais brandos ou menos insolúveis. Que cabeça fria ajuda a achar soluções com uma rapidez incrível e coisas desse tipo.
Mas numa mente que não nenhum tipo de clareza, tudo é um grande túnel sem aquela famigerada luz branca no fim.
É só o túnel longo, escuro e frio. No way out.
Vivi assim por uns três anos, mais ou menos.
Até que ele chegou.
Sabe aquela peça de teatro "Dois perdidos numa noite suja"?
Éramos dois moribundos...num mundo agonizante...
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