quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Like a virgin

Eu não era virgem quando transamos a 1ª vez.
Já tinha ido pra cama com um carinha antes. Mais de uma vez até.
Não passou nem perto do meus sonhos pueris de uma noite romântica e inesquecível, confesso. Foi sem graça, um pouco dolorido e sem nenhum prazer.
Tentei outras vezes, com caras diferentes pra ver se o problema era meu...e era.
O problema da ignorância.
A ignorância de não saber o que é estar nos braços de um homem que faz seu sangue ferver...ignorar por completo a alegria de um olhar de cumplicidade, de prazer, de satisfação que um homem dá por estar com a mulher que ama...
E eu era uma completa ignorante...até aquela manhã de um dia qualquer... sei que anotei a data eu alguma agenda perdida entre caixas e caixas de recortes, livros, cartas e peças que compõe nosso museu particular...porque particular não é só o infinito, como diz a música da Marisa Monte.
Mas nossas lembranças materializadas em papéis de carta, fotos, agendas, embalagens de bombom e atá guardanapos rabiscados de papel.
Sob certos aspectos não fui diferente de nenhuma garota e colecinei tudo isso, que agora descansam em paz, no jazigo pérpetuo de um baú de madeira. Cheio de caixas...
Quando começei a pensar por esse lado vi que ainda era uma virgem de emoções e prazeres que só o amor poderia me mostrar, independente da idade.
E amor lá tem idade pra acontecer? Sei que é clichê, mas é verdade.
Então...eu, de fato, perdi minha virgindade quando fomos pra cama a 1ª vez.
Eu o amava tanto, mas tanto que estar perto dele fazia meu coração disparar tanto, mas tanto que as vezes doía o peito.
Posso não lembrar o dia de cabeça, mas o frio que senti subir pelas minhas costas jamais vou esqueçer...
O mais incrível é que mesmo depois de mais de 15 anos de convivência, as vezes ainda sinto aquele arrepio me subindo pelas costas...exatamente como da 1ª vez.
Ele é tão bonito que as vezes me pergunto se é possível um único homem ser tão belo como ele.
Quando o dia está ensolarado, o céu fica tão azul quanto a cor dos seus olhos e quando eles me encaram me sinto a própria Hera.
Uma deusa grega, a mais poderosa das mulheres.
Tem sido assim todos esses anos. Depois do acidente que sofremos passei a ver a vida de uma maneira mais objetiva e momentânea.
Meus planos são só para o futuro do nosso filho e nada mais.
Aproveito ao máximo tudo que ainda podemos fazer juntos agora, porque se o pior acontecer a um de nóis dois quem ficar vai ter muitas peças pra montar um novo museu.
E muito pouco a lamentar que não fez.
Espero...

Um comentário:

Beatriz disse...

MUITO BOM! ADOREI A IDÉIA. VOU PUXAR UM LINK PRO MEU BLOG(QUE NINGUÉM LÊ E COMENTA). QUEM SABE ASSIM AMBAS NOS INCENTIVAMOS A ESCREVER MAIS?